O Centro de Artes de Sines recebe, no próximo sábado, o primeiro concerto de JP Simões com banda completa desde o lançamento do álbum 1970.
Recorrendo à mesma formação com que apresentou o disco em Dezembro, JP Simões (voz e guitarra) faz-se acompanhar por Sérgio Costa (piano, flauta e melódica), Tomás Pimentel (fliscorne e piano), Miguel Nogueira (guitarra), João Baptista (baixo) e Rui Alves (bateria e percussões).
O espectáculo começa às 22h00.
21 fevereiro 2007
17 fevereiro 2007
Especial JP Simões na Sic Notícias
16 fevereiro 2007
JP Simões e Alexandre O'Neill
JP Simões foi um dos artistas e intelectuais que o jornalista João Bonifácio ouviu para construir o trabalho hoje dado à estampa no novo suplemento cultural do Público, o Ípsilon.
Ainda que descontextualizadas, aqui ficam as referências a/de JP Simões:
«O compositor e excelso letrista JP Simões nota que O'Neill 'fazia uma série de observações do quotidiano que tinham a ver com algumas características do pathos português, o parecer bem, as aparências - e isso vai existir durante muito tempo'».
[Com o que é que Alexandre O'Neill gozaria hoje?]«JP Simões desconfia que o alvo seria 'o politicamente correcto e a questão nacional da crianção da imagem de Portugal para o exterior'».
Ainda que descontextualizadas, aqui ficam as referências a/de JP Simões:
«O compositor e excelso letrista JP Simões nota que O'Neill 'fazia uma série de observações do quotidiano que tinham a ver com algumas características do pathos português, o parecer bem, as aparências - e isso vai existir durante muito tempo'».
[Com o que é que Alexandre O'Neill gozaria hoje?]«JP Simões desconfia que o alvo seria 'o politicamente correcto e a questão nacional da crianção da imagem de Portugal para o exterior'».
09 fevereiro 2007
Melhor disco nacional de Janeiro
07 fevereiro 2007
JP Simões entrevistado por Henrique Amaro
JP Simões foi, ontem, o convidado do programa Portugália, apresentado por Henrique Amaro na Antena 3. A entrevista está disponível aqui (pesquisar a palavra "Portugália" e, em seguida, escolher a edição de 6 de Fevereiro).
1970 entre os mais vendidos
O álbum de JP Simões, 1970, continua a fazer parte da lista dos 30 discos mais vendidos do País. Na semana passada, o álbum de estreia a solo de JP Simões foi o 27º mais vendido em Portugal, de acordo com a tabela divulgada pela Associação Fonográfica Portuguesa.
05 fevereiro 2007
JP Simões cabeça de cartaz pelo Sim
JP Simões é o cabeça de cartaz da Festa Pelo Sim, iniciativa que o Movimento Cidadania e Responsabilidade Pelo Sim promove amanhã, 6 de Fevereiro, em Coimbra. O espectáculo começa às 21.30 e realizar-se-á no Cine-Teatro Avenida. Além da actuação de JP Simões, será projectado um vídeo e sobem ao palco os colectivos Diabo a Sete, Viv'Arte, Mezcal e O'queStrada.
Fotos e vídeos de JP Simões
Foram inauguradas duas extensões deste blogue. Numa delas estão disponíveis fotografias de JP Simões. Na outra, podem ver-se alguns vídeos.
Podes enviar as fotos e vídeos do JP Simões que queiras ver publicados para o seguinte endereço: jp.simoes.blogue@gmail.com
Podes enviar as fotos e vídeos do JP Simões que queiras ver publicados para o seguinte endereço: jp.simoes.blogue@gmail.com
02 fevereiro 2007
Concerto Pelo Sim em directo na internet
O concerto a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que se realiza no dia 3 de Fevereiro, no Fórum Lisboa, e no qual participa JP Simões, terá transmissão em directo pela internet. O espectáculo começa às 21h00.
Além de JP Simões, participam na iniciativa os seguintes artistas: Terrakota, Mário Laginha, Maria João, Camané, Zé Pedro (Xutos & Pontapés), Pacman (Da Weasel), Vera Cruz, Cool Hipnoise, Micro Audio Waves, Vera Mantero e Pedro Pinto.
Além de JP Simões, participam na iniciativa os seguintes artistas: Terrakota, Mário Laginha, Maria João, Camané, Zé Pedro (Xutos & Pontapés), Pacman (Da Weasel), Vera Cruz, Cool Hipnoise, Micro Audio Waves, Vera Mantero e Pedro Pinto.
31 janeiro 2007
Sítio oficial com novos conteúdos
O sítio oficial de JP Simões na internet tem novos conteúdos. A galeria já disponibiliza algumas fotografias, há peças novas nos recortes de imprensa e a secção de links também está activa.
30 janeiro 2007
1970 mantém-se entre os mais vendidos
O álbum 1970, de JP Simões, continua na tabela dos 30 discos mais vendidos em Portugal. Esta semana ocupa a 22ª posição, dez lugares abaixo do posto alcançado na semana passada. Na tabela dos discos mais vendidos na cadeia de lojas Fnac, 1970 é o segundo álbum de originais com mais compradores.
29 janeiro 2007
JP Simões no My Space
JP Simões tem uma página no My Space, onde podem escutar-se as canções Fábula Bêbada, 1970 (Retrato), Trovador Entrevado e Werther. A ligação está na coluna do lado.
JP Simões pelo Sim à despenalização da IVG
26 janeiro 2007
Também no Blitz
A edição de Fevereiro da revista Blitz, nas bancas desde esta manhã, publica uma entrevista com JP Simões e uma crítica a 1970.
25 janeiro 2007
Entrevista à Visão
JP Simões dá uma entrevista à revista Visão desta semana, na qual define a música que fez em 1970, explica o processo de trabalho, revela a relação que tem com Portugal, desmitifica a alegada colagem a Chico Buarque e até fala do próximo álbum.
24 janeiro 2007
1970 entra para o top!
O álbum 1970, na primeira semana após chegar às lojas, entrou directamente para o décimo segundo lugar da tabela de discos mais vendidos em Portugal, uma lista elaborada pela Associação Fonográfica Portuguesa.
Além disso, o disco de JP Simões permanece entre os preferidos dos clientes da cadeia de lojas Fnac, sendo o segundo álbum de originais mais vendido no somatório de todos os estabelecimentos Fnac do País.
Além disso, o disco de JP Simões permanece entre os preferidos dos clientes da cadeia de lojas Fnac, sendo o segundo álbum de originais mais vendido no somatório de todos os estabelecimentos Fnac do País.
23 janeiro 2007
Entrevista ao Mundo Universitário

A revista Mundo Universitário publica uma entrevista com JP Simões, parcialmente editada também na edição de hoje do matutino Destak.
O trabalho na publicação estudantil pode ser lido aqui. Quem preferir a versão PDF pode consultar esta página.
JP Simões compõe genérico de programa radiofónico
JP Simões é o autor do genérico final do programa Boa Noite, Alvim, que Fernando Alvim irá apresentar na Antena 3. A criação de JP Simões pode escutar-se aqui.
20 janeiro 2007
Fnac Gaiashopping: alinhamento e fotografias
18 janeiro 2007
17 janeiro 2007
16 janeiro 2007
Minidigressão pelas lojas Fnac
A promoção do álbum 1970 prossegue no próximo fim-de-semana com a gravação de um especial para a SIC Notícias, no domingo, e com três concertos em lojas da cadeia Fnac.
A primeira das três apresentações terá como palco a loja Fnac de Coimbra e decorrerá na sexta-feira, 19 de Janeiro, às 22h00. No dia seguinte, JP Simões mostra-se mais a norte, na Fnac do Gaiashopping, às 17h00. A Fnac Chiado, Lisboa, recebe o concerto de apresentação no dia 22, segunda-feira, às 18h30.
Estes espectáculos nas lojas Fnac terão o formato de uma voz e duas guitarras.
A primeira das três apresentações terá como palco a loja Fnac de Coimbra e decorrerá na sexta-feira, 19 de Janeiro, às 22h00. No dia seguinte, JP Simões mostra-se mais a norte, na Fnac do Gaiashopping, às 17h00. A Fnac Chiado, Lisboa, recebe o concerto de apresentação no dia 22, segunda-feira, às 18h30.
Estes espectáculos nas lojas Fnac terão o formato de uma voz e duas guitarras.
15 janeiro 2007
Passatempo Sapo
Oferta de convites para assistir ao vivo à gravação de um especial JP Simões a emitir pela SIC Notícias. Aqui.
14 janeiro 2007
Convidado da Prova Oral
JP Simões, amanhã, 15 de Janeiro, é o convidado de Fernando Alvim, na Prova Oral, da Antena 3. O programa, em directo, é emitido às 19h00. Decorrerá em simultâneo com a transmissão da entrevista a Carlos Vaz Marques, na TSF.
Ao longo da semana, 1970 estará em destaque na Antena 1.
Ao longo da semana, 1970 estará em destaque na Antena 1.
13 janeiro 2007
JP Simões no Pessoal e Transmissível
Carlos Vaz Marques entrevista JP Simões na TSF, no programa Pessoal e Transmissível. A entrevista vai para o ar às 19h15 de segunda-feira, dia de lançamento nas lojas do álbum 1970.
Entrevista e crítica no Expresso
O suplemento Cartaz, publicado com o Expresso de hoje, publica uma entrevista com JP Simões e apresenta a crítica ao álbum 1970.
12 janeiro 2007
Homenagem a um grupo de construtores da música
Nome indissociável do sucesso de projectos como Belle Chase Hotel ou Quinteto Tati, JP Simões estreou-se agora a solo com o trabalho discográfico “1970”, uma mão cheia de belas canções, servidas por uma voz inconfundível. Depois de Lisboa e do Porto, o músico estará esta noite em Coimbra, no auditório do Instituto Português da Juventude (IPJ), às 23H00, para o último de três concertos de apresentação de “1970”, que sairá para o circuito comercial a 15 de Janeiro próximo.
A solo, finalmente a solo num após Belle Chase Hotel e a par do Quinteto Tati, este “1970” é o quê? Uma homenagem às suas raízes musicais, às suas influências?
JP Simões – Sim, uma das características comuns a todas as profissões que envolvem a música é que o nosso trabalho acaba sempre por ser uma homenagem àquilo que gostamos de ouvir. Para além da originalidade, há sempre uma série de estilos de música e de ambientes que acabam por passar nos trabalhos que se fazem. Neste caso, neste meu primeiro trabalho a solo, o que aconteceu é que eu fui muito mais assumidamente trabalhar sobre as minhas grandes influências. Eu tinha há muito tempo vontade de fazer um disco mais luso-brasileiro, com uma forte referência a músicos, compositores e autores de canções que me são mais caros, como Chico Buarque de Hollanda. Mas este foi um ponto de partida, porque, de certa forma, Chico Buarque é também um compositor multiestilístico, e eu fui buscar um certo balanço onde me senti confortável para dizer aquilo que tenho a dizer. E assim este acabou por ser um disco fortemente marcado por essa homenagem à música brasileira.
E para além da música brasileira, de que já falou, nomeadamente com Chico Buarque, que outras influências tem neste seu trabalho?
São influências muito centradas nos anos 70, como no Quinteto Tati já se manifestou uma grande influência da música latino-americana. São algumas coisas claramente identificáveis e outras um pouco mais veladas. O facto é que eu conto com tudo o que contribuiu para me inspirar, para me motivar para trabalhar a música. Há muitas coisas na música brasileira que influenciam este disco, nomeadamente ao nível da produção, com a influência assumida de António Carlos Jobim. Houve um disco do Edu Lobo que me serviu de inspiração muito directa para eu fazer este “1970”. Essencialmente esta geração que nos anos 70 andava a fazer coisas de uma maneira muito brilhante. O António Carlos Jobim, o Vinicius de Moraes, o Edu Lobo, que são quase um grupo de construtores de música, que fazem parte do meu imaginário, que me influenciaram e influenciam bastante e influenciam também uma série de gente. É um pouco palavra corrente no Brasil o facto de muitos músicos viverem chateados com o Chico Buarque por ele ter deixado tão pouco por fazer no mundo da música.
É esta abrangência característica dos escritores de canções que o fascina também?
Sim é claro que me fascina, como me fascina a mensagem veiculada, com alguma melancolia. Mas sim, o fascínio é evidente.
Este é o primeiro projecto inteiramente seu, no qual assume a totalidade do processo criativo, com músicas, letras, arranjos e produção musical. Este era o momento de dar-se esta oportunidade a si próprio?
Sabe, as coisas vão acontecendo, foram acontecendo, não pelo melhor dos motivos. Quer dizer, eu não cheguei a este álbum, a solo, simplesmente pela depuração do meu próprio trabalho. Este até nem seria o meu plano. Acontece é que todos os projectos em que trabalhei anteriormente tiveram graves deficiências editoriais e promocionais que acabaram por os transformar em actos falhados e em muitas frustrações. Por exemplo, a “Ópera do Falhado”, em que eu me empenhei de forma total, foi apresentada mas o seu registo discográfico está há três anos para sair. Continuamos dependentes da boa vontade da editora, que já investiu alguns largos milhares no trabalho, mas que parece não querer rentabilizá-lo. O problema é que quando as editoras não funcionam bem prejudicam os músicos e os criadores de uma forma grave, que ficam com o seu trabalho e o seu investimento artístico e humano pendurado, hipotecado. A solução foi cortar com a editora e fazer uma outra banda com o meu amigo Sérgio Costa – o Quinteto Tati –, que começou a funcionar de outra maneira, sem tanta burocracia, sendo que, na altura, o nosso disco e a editora nasceram ao mesmo tempo. Entretanto as coisas também não correram da melhor forma, nomeadamente ao nível do agenciamento, e eu fui trabalhando neste disco a solo. Ou seja, eu vim parar aqui mais ou menos pelo fracasso do processo de trabalho que existia. E este é um assunto que se prolongou por todo este último ano e que eu estou a tentar por de parte. Trata-se um pouco de esquecer aquilo que não está feito e avançar. E se calhar isso é que importa, renovar as esperanças e levar este trabalho por um circuito normal. Porque até aqui nada tem florescido na Primavera. Com o meu agente, José Cardoso, decidimos avançar para este projecto, fomos para estúdio, a seguir vendemos o disco a uma editora e ficou o assunto arrumado.
Foi uma forma de assumir as rédeas do processo?
Eu não faço questão de andar a produzir e a realizar, preferia estar a fazer outras coisas, podia ter investido todo este trabalho no Quinteto Tati ou noutra coisa qualquer. Infelizmente não foi possível, porque há contratos e há compromissos que prendem as pessoas e o seu trabalho ás editoras e que frustram completamente este necessário trabalho em equipa. Isto não foi uma questão de proclamação de autoridade individual, teve sobretudo que ver com a necessidade de avançar para alguma coisa.
“1970” vai ser lançado quando?
O disco está concluído desde Maio, a sua saída tem sido sucessivamente adiada por questões não tenho interesse nenhum em recordar. O facto é que, desde Maio, só agora há uma data, que é 15 de Janeiro. Entretanto, o que eu tentei fazer com a editora para apaziguar um pouco o relacionamento é o seguinte: nos concertos promocionais em Lisboa, Porto e Coimbra terei algumas dezenas de exemplares do disco que as pessoas poderão comprar.
Para que público fez este “1970”? Para um público diferente dos devotos dos Belle Chase Hotel, daquele que angariou com o Quinteto Tati?
Não sei. Como sabe, o trabalho ainda não foi divulgado, vai sê-lo agora, será para o público que o quiser. Quando trabalho, eu não sei quem é o meu público alvo, não faço a mínima ideia. Bem, quer dizer, o meu público alvo sou eu, eu faço coisas que me agradam.
O disco sairá em Janeiro, mas iniciou já uma série de três concertos – em Lisboa, no Porto e em Coimbra – de apresentação. E escolheu espaços para relativamente pouco público. Interessa-lhe fazer concertos mais intimistas?
Sem dúvida. Como deve imaginar não ia tentar fazer concertos para 40 mil pessoas. É claro que existe na escolha destes três locais alguma dose de calculismo, mas como os concertos estão a ser feitos um pouco a expensas do meu agente, também optamos por salas que não implicassem grandes custos. A questão é que nós decidimos avançar para a divulgação do disco, um pouco para fazer frente à demora na sua distribuição e também para dar a algumas pessoas a possibilidade de o comprarem, ainda que seja num circuito mais ou menos fechado.
Os Belle Chase Hotel em que caminho ficaram? E o Quinteto Tati, que destino terá?
Os Belle Chase Hotel morreram um pouco de morte natural. Deixou de nos dar prazer o projecto, deixou de haver gozo no que fazíamos, quase todos avançámos por outros caminhos... Encontrámo-nos de novo nos 10 anos do grupo. Foi bom, mas acabou. Quanto ao Quinteto Tati, este meu trabalho a solo é apenas um interregno, até porque estou a trabalhar com os mesmo músicos e o projecto mantém-se com a mesma vontade de todos.
(Lídia Pereira, Diário As Beiras)
A solo, finalmente a solo num após Belle Chase Hotel e a par do Quinteto Tati, este “1970” é o quê? Uma homenagem às suas raízes musicais, às suas influências?
JP Simões – Sim, uma das características comuns a todas as profissões que envolvem a música é que o nosso trabalho acaba sempre por ser uma homenagem àquilo que gostamos de ouvir. Para além da originalidade, há sempre uma série de estilos de música e de ambientes que acabam por passar nos trabalhos que se fazem. Neste caso, neste meu primeiro trabalho a solo, o que aconteceu é que eu fui muito mais assumidamente trabalhar sobre as minhas grandes influências. Eu tinha há muito tempo vontade de fazer um disco mais luso-brasileiro, com uma forte referência a músicos, compositores e autores de canções que me são mais caros, como Chico Buarque de Hollanda. Mas este foi um ponto de partida, porque, de certa forma, Chico Buarque é também um compositor multiestilístico, e eu fui buscar um certo balanço onde me senti confortável para dizer aquilo que tenho a dizer. E assim este acabou por ser um disco fortemente marcado por essa homenagem à música brasileira.
E para além da música brasileira, de que já falou, nomeadamente com Chico Buarque, que outras influências tem neste seu trabalho?
São influências muito centradas nos anos 70, como no Quinteto Tati já se manifestou uma grande influência da música latino-americana. São algumas coisas claramente identificáveis e outras um pouco mais veladas. O facto é que eu conto com tudo o que contribuiu para me inspirar, para me motivar para trabalhar a música. Há muitas coisas na música brasileira que influenciam este disco, nomeadamente ao nível da produção, com a influência assumida de António Carlos Jobim. Houve um disco do Edu Lobo que me serviu de inspiração muito directa para eu fazer este “1970”. Essencialmente esta geração que nos anos 70 andava a fazer coisas de uma maneira muito brilhante. O António Carlos Jobim, o Vinicius de Moraes, o Edu Lobo, que são quase um grupo de construtores de música, que fazem parte do meu imaginário, que me influenciaram e influenciam bastante e influenciam também uma série de gente. É um pouco palavra corrente no Brasil o facto de muitos músicos viverem chateados com o Chico Buarque por ele ter deixado tão pouco por fazer no mundo da música.
É esta abrangência característica dos escritores de canções que o fascina também?
Sim é claro que me fascina, como me fascina a mensagem veiculada, com alguma melancolia. Mas sim, o fascínio é evidente.
Este é o primeiro projecto inteiramente seu, no qual assume a totalidade do processo criativo, com músicas, letras, arranjos e produção musical. Este era o momento de dar-se esta oportunidade a si próprio?
Sabe, as coisas vão acontecendo, foram acontecendo, não pelo melhor dos motivos. Quer dizer, eu não cheguei a este álbum, a solo, simplesmente pela depuração do meu próprio trabalho. Este até nem seria o meu plano. Acontece é que todos os projectos em que trabalhei anteriormente tiveram graves deficiências editoriais e promocionais que acabaram por os transformar em actos falhados e em muitas frustrações. Por exemplo, a “Ópera do Falhado”, em que eu me empenhei de forma total, foi apresentada mas o seu registo discográfico está há três anos para sair. Continuamos dependentes da boa vontade da editora, que já investiu alguns largos milhares no trabalho, mas que parece não querer rentabilizá-lo. O problema é que quando as editoras não funcionam bem prejudicam os músicos e os criadores de uma forma grave, que ficam com o seu trabalho e o seu investimento artístico e humano pendurado, hipotecado. A solução foi cortar com a editora e fazer uma outra banda com o meu amigo Sérgio Costa – o Quinteto Tati –, que começou a funcionar de outra maneira, sem tanta burocracia, sendo que, na altura, o nosso disco e a editora nasceram ao mesmo tempo. Entretanto as coisas também não correram da melhor forma, nomeadamente ao nível do agenciamento, e eu fui trabalhando neste disco a solo. Ou seja, eu vim parar aqui mais ou menos pelo fracasso do processo de trabalho que existia. E este é um assunto que se prolongou por todo este último ano e que eu estou a tentar por de parte. Trata-se um pouco de esquecer aquilo que não está feito e avançar. E se calhar isso é que importa, renovar as esperanças e levar este trabalho por um circuito normal. Porque até aqui nada tem florescido na Primavera. Com o meu agente, José Cardoso, decidimos avançar para este projecto, fomos para estúdio, a seguir vendemos o disco a uma editora e ficou o assunto arrumado.
Foi uma forma de assumir as rédeas do processo?
Eu não faço questão de andar a produzir e a realizar, preferia estar a fazer outras coisas, podia ter investido todo este trabalho no Quinteto Tati ou noutra coisa qualquer. Infelizmente não foi possível, porque há contratos e há compromissos que prendem as pessoas e o seu trabalho ás editoras e que frustram completamente este necessário trabalho em equipa. Isto não foi uma questão de proclamação de autoridade individual, teve sobretudo que ver com a necessidade de avançar para alguma coisa.
“1970” vai ser lançado quando?
O disco está concluído desde Maio, a sua saída tem sido sucessivamente adiada por questões não tenho interesse nenhum em recordar. O facto é que, desde Maio, só agora há uma data, que é 15 de Janeiro. Entretanto, o que eu tentei fazer com a editora para apaziguar um pouco o relacionamento é o seguinte: nos concertos promocionais em Lisboa, Porto e Coimbra terei algumas dezenas de exemplares do disco que as pessoas poderão comprar.
Para que público fez este “1970”? Para um público diferente dos devotos dos Belle Chase Hotel, daquele que angariou com o Quinteto Tati?
Não sei. Como sabe, o trabalho ainda não foi divulgado, vai sê-lo agora, será para o público que o quiser. Quando trabalho, eu não sei quem é o meu público alvo, não faço a mínima ideia. Bem, quer dizer, o meu público alvo sou eu, eu faço coisas que me agradam.
O disco sairá em Janeiro, mas iniciou já uma série de três concertos – em Lisboa, no Porto e em Coimbra – de apresentação. E escolheu espaços para relativamente pouco público. Interessa-lhe fazer concertos mais intimistas?
Sem dúvida. Como deve imaginar não ia tentar fazer concertos para 40 mil pessoas. É claro que existe na escolha destes três locais alguma dose de calculismo, mas como os concertos estão a ser feitos um pouco a expensas do meu agente, também optamos por salas que não implicassem grandes custos. A questão é que nós decidimos avançar para a divulgação do disco, um pouco para fazer frente à demora na sua distribuição e também para dar a algumas pessoas a possibilidade de o comprarem, ainda que seja num circuito mais ou menos fechado.
Os Belle Chase Hotel em que caminho ficaram? E o Quinteto Tati, que destino terá?
Os Belle Chase Hotel morreram um pouco de morte natural. Deixou de nos dar prazer o projecto, deixou de haver gozo no que fazíamos, quase todos avançámos por outros caminhos... Encontrámo-nos de novo nos 10 anos do grupo. Foi bom, mas acabou. Quanto ao Quinteto Tati, este meu trabalho a solo é apenas um interregno, até porque estou a trabalhar com os mesmo músicos e o projecto mantém-se com a mesma vontade de todos.
(Lídia Pereira, Diário As Beiras)
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